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Friday, July 25, 2008

Cores do mar



Nas Filipinas acabamos por não ter o descanso que queríamos. Acho que é o maior problema deste tipo de viagem, decidir a quantidade de tempo a "gastar" em cada sítio. Várias vezes aconteceu sentir pena por não podermos aproveitar melhor um lugar, mas é sempre triste cortar o desconhecido por falta de tempo. Nas Filipinas acabamos por viajar um bocado, explorar país, poucas vezes foi um período de relax tropical.
Esse chegou um pouco depois, nas Perhentian, um arquipélago no nordeste da Malásia, onde estivemos quase uma semana só a curtir sol e praia. Ah! E o mar, claro :) !



Em alguns sítios era transparente, a deixar ver o branco da areia, noutros era verde sumol, como nunca tinha visto. A areia era perfeita, nem demasiado fina, a parecer pó e colar-se ao corpo, nem demasiado grossa, a magoar os pés.


O ambiente era cheio de lonely-planeteers. Todos diferentes e todos iguais. Pessoas com várias idades, mas sobretudo sub-35 que, como nós, usam o lonely planet como bíblia do sudeste asiático. Quase todos a vir de algum sitio e a ir para outro, só numa pausa para chill-out e praia. Dias de paraíso, a culminar com o melhor snorkeling sobre jardins de corais e ao lado de tartarugas.

Tuesday, June 24, 2008

Malásia: Malaca e Portugal

Depois do choque de modernidade que foi a mégalomana Kuala Lumpur, com os seus arranha-céus e fixação com recordes do mundo, Malaca.
Apesar de uma primeira abordagem falhada os portugueses conseguiram dominar Malaca em 1511 (por incrível que pareça muita gente sabe esta data por cá). Ficamos pouco mais de cem anos no que na altura era o centro do comércio de especiarias, mas foi o suficiente para, vários séculos depois, existirem pessoas a falarem português, a cantar o vira minhoto e a festejarem o S. João e o S. Pedro. Notável, como diria o Avô António.


Sentados numa mesa multicultural, a fazer lembrar o ponto de encontro de civilizações que a cidade já foi, ouvimos uma versão um pouco diferente de "Uma casa portuguesa" . Um belga, um indiano-muçulmano, uma australiana, chineses e, claro, os malaio-portugueses. Todos cervejamos alegremente enquanto fazíamos e respondíamos a perguntas sobre as respectivas realidades e percursos.


Por pura coincidência chegamos no dia de S. João, celebrado como as festas de qualquer terreola portuguesa, com a piada, para nós, de vermos um esboço do povo português do outro lado do mundo. Os três senhores malaios da fotografia falavam um português antigo mas que se entendia perfeitamente e percebiam tudo o que nos dizíamos.

De resto, da presença portuguesa, sobram as ruínas de uma igreja e a porta da Famosa, fortaleza mandada construir pelo nosso conquistador do oriente, grande Afonso de Albuquerque . Incrível como uma cidade com tão pouco de português fez um museu marítimo, construído à imagem dos barcos portugueses que chegaram a Malaca. Também é impressionante que haja um "bairro português" construído com fundos ingleses, habitado por pessoas com tanto orgulho na sua ascendência lusitana, que mantém costumes que não tem nada a ver com este lado do mundo, e que não teve qualquer apoio do nosso país. Triste constatar que a nossa presença no oriente não tem qualquer seguimento.