Umas pequenas ilhas perto de Lombok. Foram a primeira paragem depois do novo arranque e um dos sítios mais próximos do paraíso em que já estive.
Sunday, June 22, 2008
As Gili
Umas pequenas ilhas perto de Lombok. Foram a primeira paragem depois do novo arranque e um dos sítios mais próximos do paraíso em que já estive.
Monday, June 9, 2008
Relaxar em Bali
Antes de arrancar para a verdadeira viagem, pareceram-me obrigatórios uns dias de calma e paz, que já há não sei quantos meses não tinha. Dias a não fazer nada. Praia, massagens balinesas, bons restaurantes, a companhia materna, dolce far niente :) até preguiça de escrever, por isso é que agora vai tudo de uma vez. Já restabelecido, começo a delinear o plano de viagem, vou lendo os relatos de quem já andou por cá e ouvindo quem vou encontrando. Logo chega a tolinha que vai atravessar o mundo para viajar comigo e lá vamos nós!
Sunday, June 8, 2008
O trekking em Lombok
Começou com um dia inteiro a subir uma montanha mais alta do que a Serra da Estrela, numa monótona paisagem de selva, apenas animada por uns macacos ocasionais. Já tinha dito que não era para mim, muito esforço e pouco benefício, mas o melhor ía chegar. Depois de adormecer às 7 da tarde (primeira vez na vida?), por volta das 5h, ainda de noite, voltávamos a subir o monte.
Acho que a minha cara espelha bem o alívio/cansaço do momento.
Na berma do lago que abraça o vulcão estavam imensos pescadores que viviam em tendas improvisadas, feitas com plásticos. Como não têm meios para conservar os peixes, quando os apanham prendem-nos com uma corda e põe-nos outra vez na agua, quais cães com trela.
É uma última oportunidade. Há peixes no lago porque, há uns anos atrás, o Suharto mandou uns helicópteros despejar lá os avós dos peixes. Agora, quem não tem emprego vai la tentar a sua sorte.
Lombok é uma ilhota à frente de Bali, mas ao contrário dos balineses, cuja maioria são hindus, a generalidade dos seus habitantes são muçulmanos. Na Indonésia as religiões parecem conviver pacificamente, já acordei com muçulmanos a rezar de madrugada, vi igrejas em frente a mesquitas e alguns templos hindus. Espalhadas por Bali estao pequenas caixinhas com oferendas aos Deuses. Ontem assistimos ao nascer do sol num templo hindu onde estavam imensas pessoas tomarem o seu banho purificador para comemorar uma data sagrada.
Saturday, June 7, 2008
As Flores
A primeira paragem pós-Timor, descontando a obrigatória em Bali, foi num arquipélago paradisíaco que já foi português. Montes de ilhotas verdes num mar transparente recheado de corais. Infelizmente a herança que deixamos limita-se ao catolicismo e aos nomes de algumas pessoas (e do próprio arquipélago, claro). Mesmo assim foi engraçado encontrar um António Lopes logo à chegada e ver que, mesmo nas aldeias mais remotas, apesar de mais animistas do que propriamente católicos, se encontram homenagens à Nossa Senhora, no maior país muçulmano do mundo.
Deu tempo para óptimos mergulhos e para visitar aldeias tradicionais, numa viagem de carro bastante penosa, aliviada por um guia que só sabia umas três palavras em inglês, mas com quem nos fartamos de rir. Graças a ele aprendi algumas palavras básicas do bahasa indonésio.
Na viagem passamos casas típicas, arrozais, plantas do café e do cacau e estivemos de molho numas hot springs (jacuzzi natural de água quente). O objectivo principal era visitar umas pequenas aldeias.
Todas têm no centro construções em forma de guarda-sol, para simbolizar o homem (protector da família, que se pode abrigar debaixo dele) e outras, em forma de casa, representam as mulheres. O chefe da aldeia tem uma espécie de casota em cima do telhado da sua casa, para mostrar quem manda. Algumas aldeias têm uma rede onde os miúdos jogam uma espécie de fute-volei, ainda deu para dar uns toques. Não há cemitérios comuns, as pessoas de cada família são enterradas em frente à sua casa, o que faz com que a convivência com as campas não tenha qualquer solenidade (assustei-me quando a bola foi para cima de uma, mas os miúdos continuaram a jogar como se nada fosse).
Começou nas flores, mas vai-se repetindo por toda a Indonésia: “Where are you from?”, “Portugal”, “OH, Cristiano Ronaldo!!”. Sem dúvida o maior embaixador do país, substituindo o Figo. Pena que quase ninguém saiba sequer onde fica o pequeno país que cá chegou há tanto tempo. Fomos os primeiros europeus a chegar à Ásia por mar e controlamos pontos-chave do comércio com o Oriente, é bastante triste ver-nos reduzidos ao futebol. Devíamos ter deixado mais obra feita por cá e aproveitar melhor o nosso passado no presente.
Sunday, May 25, 2008
O final
Entreguei as pautas e os relatórios, troquei a bicicleta por tais, festejei com os alunos na praia da areia branca, fiz as maletas e as despedidas.
Acabou rápido. Acho que a maior falha foi não ter ido ao Ramelau, antigo ponto mais alto do império português. De resto, sinto a missão cumprida. Embora demasiado a correr. Era preciso algum tempo mais para compreender bem este povo. Como seria de esperar, fora das aulas as pessoas com quem lidei mais de perto foram estrangeiros.
Dos timorenses ficam algumas ideias, dois meses não deram para apreender mais. Um povo com um sorriso, mas nem sempre um sorriso sincero. São orientais, por isso estão habituados a esconder os sentimentos. São também um povo que sofreu muito, o que fomentou uma cultura de sobrevivência a qualquer custo, vale tudo. Há muita corrupção, descriminação e pobreza.
Esta é a pior imagem de Timor (perto do campo de refugiados, num lugar com um cheiro indiscritivel, que eu quase sinto ao ver a imagem).
Gostei muito de vir e quero voltar, gostava muito de, daqui a uns tempos, ver o resultado de Timor. Tem muitas coisas bonitas, mantêm muitas tradições que só vemos em documentários e tem também, acredito, muitos sorrisos verdadeiros. Mas acho que não gostava de ficar. Percebo o que atrai as pessoas. A paz, a tranquilidade, ausência de stress, a fuga de Portugal, a praia diária. Mas para mim não chega. Faltam coisas a acontecer em Timor, acho que é uma realidade que se esgota rápido. Também, ao contrário de muitos dos “viajantes” que tenho conhecido, as raízes existem em mim e são fundamentais, gosto de viajar a saber onde é a minha casa.
O título do post também podia ser “O início” já que me esperam três meses de viagem, sudeste asiático acima. Começando bem na ponta, sem roteiro definido (agradeço sugestões) e sem querer saber à partida onde acaba (qual é o filme que tem piada de outra maneira?!). Vou tentar ir contando aqui alguns capítulos.
Deixo Timor a ouvir a música que os montes verdes (que já foram mais verdes, porque a época das chuvas já lá vai) que desaguam no mar me puseram a cantar quando cheguei. A aquarela brasileira, Timor também merece uma música-desenho.
“Vejam essa maravilha de cenário
É um episódio relicário
Que o artista num sonho genial
Escolheu para este carnaval
…
Brasil, essas nossas verdes matasCachoeiras e cascatas
De colorido sutil
E este lindo céu azul de anil
Emoldura em aquarela o meu Brasiuuu”
Tuesday, May 6, 2008
Um cheirinho das diferenças
Ouvir “malai, malai” sempre que se sai de Díli, porque as crianças, como não costumam ver estrangeiros, ficam histéricas a gritar e acenar imenso.
Comer arroz que veio de uma bacia. Não haver faca nos talheres disponíveis, usam só garfo e colher, faca é coisa de malai.
Ver uma concentração de pessoas muito exaltadas com dólares na mão – pessoal a apostar nas lutas de galos. Claro que é um desporto interdito a mulheres
Campas nos jardins das casas. Também existem nas bermas das estradas a marcar os lugares onde houve atropelamentos/acidentes.
Pequenas mudanças: bananas vermelhas, beringelas verdes, koalas em vez do pico nos chocapics.
Cumprimentar toda a gente na rua. “Bom dia..Boa tarde”, um simples adeus quando vamos de carro. Em Díli acontece, fora de Díli é o normal.
As pessoas de mãos dadas, principalmente as mais novas. Primeiro pensei que eram só as meninas, mas não, é indiferente.
O clima, claro! Dos trópicos, como adoro :) As montanhas verdes a recortar o mar, mar de um azul turquesa incrível. Vejam bem a cor do de jaco, a ilhota na ponta este de Timor.
Mas nada supera isto:
“A rendição de Gastão Salsinha foi celebrada no comando conjunto em Díli, Timor-Leste, com uma festa que juntou os captores e os capturados da operação “Halibur” em torno de muita cerveja e muita música…"Houve muita cerveja, muita música e karaoke” afirmou um elemento das forças que, durante quase três meses, perseguiram os fugitivos do 11 de Fevereiro…Durante o jantar com oficiais do comando conjunto, militares e policias timorenses confraternizaram e abraçaram os 13 fugitivos...” (Jornal Nacional Semanário)



















