Friday, July 25, 2008

Cores do mar



Nas Filipinas acabamos por não ter o descanso que queríamos. Acho que é o maior problema deste tipo de viagem, decidir a quantidade de tempo a "gastar" em cada sítio. Várias vezes aconteceu sentir pena por não podermos aproveitar melhor um lugar, mas é sempre triste cortar o desconhecido por falta de tempo. Nas Filipinas acabamos por viajar um bocado, explorar país, poucas vezes foi um período de relax tropical.
Esse chegou um pouco depois, nas Perhentian, um arquipélago no nordeste da Malásia, onde estivemos quase uma semana só a curtir sol e praia. Ah! E o mar, claro :) !



Em alguns sítios era transparente, a deixar ver o branco da areia, noutros era verde sumol, como nunca tinha visto. A areia era perfeita, nem demasiado fina, a parecer pó e colar-se ao corpo, nem demasiado grossa, a magoar os pés.


O ambiente era cheio de lonely-planeteers. Todos diferentes e todos iguais. Pessoas com várias idades, mas sobretudo sub-35 que, como nós, usam o lonely planet como bíblia do sudeste asiático. Quase todos a vir de algum sitio e a ir para outro, só numa pausa para chill-out e praia. Dias de paraíso, a culminar com o melhor snorkeling sobre jardins de corais e ao lado de tartarugas.

Saturday, July 19, 2008

Casa do Tom Sawyer, mas no mar

Já passou algum tempo, como tive preguiça de escrever e agora não dá para tudo, conto só o melhor das Filipinas.
Acho que em primeiro lugar ficou a ilha, não deserta mas quase, Siquijor.
Foi uma pena termos ido na época das monções, mas, como andamos em zonas tropicais, há países que estão na época seca como a Indonésia e a Malásia e outros que estão na época das chuvas, o que nalguns significa ciclones tropicais. Na semana antes de irmos para as Filipinas um destes ciclones, e a falta de cuidado da transportadora, fez com que um ferry com mais de 700 pessoas se afundasse numa das rotas que tínhamos ponderado fazer. Claro que isso trouxe um pouco mais de emoção às tempestades que apanhámos, mas, no geral, acabamos por ter bastante sorte, apesar do tempo estar quase sempre nublado e de umas molhas ocasionais, não houve problemas.
Continuando com a ilha, acho que talvez o mais interessante de "ouvir" seja a casa na árvore . Lembro-me de brincarmos numa, em Vermoim, acho que tinha sido o Gonçalo ou o Carlitos a pregar meia dúzia de tábuas numa daquelas macieiras lá do fundo, perto dos campos, e nós chamávamos-lhe casa da árvore.

Aqui era um conceito diferente (a nossa era a mais baixa).

Um condomínio de casas da árvore (com telhados e paredes desta vez), sobre o mar, ligadas entre si por pontes e que convergiam para uma grande casa. O que havia na casa grande? Karaoke.
Os filipinos são doidos por karaoke. Ainda tivemos o privilégio de ver uns locais sexagenários, já com algumas cervejas de avanço a mostrarem os seus dotes (?) vocais.
Claro que também participamos levemente (lembram-se das noites twist and shout do pixote? ;)).
Mas o melhor foi o amanhecer, a altura das fotografias.


Outro momento alto, já em Manila, foi podermos ouvir histórias de um veterano de guerra que tinha combatido os rebeldes muçulmanos (que tentam a independência no sul do pais, o 4º maior grupo terrorista do mundo), que nos explicou a importância e vida do maior herói filipino, o poeta e médico José Rizal, o idealista por trás do fim da colonização espanhola.
De resto, das Filipinas, ficam a simpatia das pessoas e os paradoxos dum pais que detesta ter sido colonizado mas adora a religião que lhe foi imposta pelo colonizador. Apesar de terem lutado pela independência do invasor seguinte, os Estados-Unidos, continuam americanos na música, nas multinacionais, nos livros e nos filmes. Um país com alguns restos de oriente e muito de ocidente.

Friday, July 4, 2008

As Filipinas





Depois da confusão da Indonésia, da correria da Malásia e do luxo de Singapura, achamos que era altura para descansar nas Filipinas. Praia, mergulho, snorkeling, noite...A cultura tem que esperar um pouco.




Aqui a única visita com propósito histórico foi à ilha onde mataram o Fernão Magalhães. Apesar deste ser, provavelmente, o navegador português mais conhecido no mundo, aí na terra não o estudamos com muito relevo. Acho que até se percebe, de certeza que os brasileiros também não idolatram o Deco. A verdade é que, seja pelo que for, o homem vendeu-se aos espanhóis. Esses deixaram cá um monumento a celebrá-lo, ou a celebrar o seu Hernando de Maggallanes. Os filipinos ressabiados construíram, mesmo à frente do monumento deixado por nuestros hermanos, uma estátua do índio que o matou, Lapu - Lapu. A ilustrar a manifestação anti-colonialista escreveram por baixo alguma coisa parecida com "O primeiro filipino a expulsar o invasor europeu". Outra homenagem que lhe fizeram foi chamar Lapu-Lapu a um dos melhores peixes que comi neste sudeste asiático.



Aos que protestaram pela proeminência da minha voz no video da "Casa Portuguesa", têm que pensar que o importante foi a alegria que o senhor sentiu por ver que a música que ele sabia era (mais ao menos ) conhecida por nós :p

Singapura



A cidade-estado em que o rigor britânico é aplicado ao viver para o trabalho dos chineses. Junta-se a posição que lhe permite ser um centro estratégico de comércio e percebe-se de onde vem a prosperidade de Singapura. Organizada e luxuosa, cidade do novo milénio.

Tuesday, June 24, 2008

Malásia: Malaca e Portugal

Depois do choque de modernidade que foi a mégalomana Kuala Lumpur, com os seus arranha-céus e fixação com recordes do mundo, Malaca.
Apesar de uma primeira abordagem falhada os portugueses conseguiram dominar Malaca em 1511 (por incrível que pareça muita gente sabe esta data por cá). Ficamos pouco mais de cem anos no que na altura era o centro do comércio de especiarias, mas foi o suficiente para, vários séculos depois, existirem pessoas a falarem português, a cantar o vira minhoto e a festejarem o S. João e o S. Pedro. Notável, como diria o Avô António.


Sentados numa mesa multicultural, a fazer lembrar o ponto de encontro de civilizações que a cidade já foi, ouvimos uma versão um pouco diferente de "Uma casa portuguesa" . Um belga, um indiano-muçulmano, uma australiana, chineses e, claro, os malaio-portugueses. Todos cervejamos alegremente enquanto fazíamos e respondíamos a perguntas sobre as respectivas realidades e percursos.


Por pura coincidência chegamos no dia de S. João, celebrado como as festas de qualquer terreola portuguesa, com a piada, para nós, de vermos um esboço do povo português do outro lado do mundo. Os três senhores malaios da fotografia falavam um português antigo mas que se entendia perfeitamente e percebiam tudo o que nos dizíamos.

De resto, da presença portuguesa, sobram as ruínas de uma igreja e a porta da Famosa, fortaleza mandada construir pelo nosso conquistador do oriente, grande Afonso de Albuquerque . Incrível como uma cidade com tão pouco de português fez um museu marítimo, construído à imagem dos barcos portugueses que chegaram a Malaca. Também é impressionante que haja um "bairro português" construído com fundos ingleses, habitado por pessoas com tanto orgulho na sua ascendência lusitana, que mantém costumes que não tem nada a ver com este lado do mundo, e que não teve qualquer apoio do nosso país. Triste constatar que a nossa presença no oriente não tem qualquer seguimento.

Sunday, June 22, 2008

Yogyakarta

O caos. Carros, motas, bicicletas com e sem atrelados, ofertas de transportes e túnicas em cada metro...Tudo numa concentração absurda. Sempre alguns minutos de espera para atravessar a rua. As passadeiras são decorativas, o fumo já esta perto do insuportável, é assim uma metrópole indonésia.
À volta está o melhor. Templos hindus e budistas construídos há mais de um milhar de anos. O conjunto hindu chama-se Prambanan (sim, ainda falhámos umas vezes ate começarmos a dizer como deve ser).

Mesmo perto destes templos em memória dos deuses hindus Shiva, Brahma e Vishnu está outro templo budista, contemporâneo, a mostrar, mais uma vez, como convivem e sempre conviveram em harmonia as diferentes religiões, por aqui. Depois do pôr-do-sol hindu e da desilusão lusa, o nascer-do-sol budista. Igualmente imponente, com a vantagem de ter um enquadramento de floresta, vulcões e brumas que o cobriam com uma aura mística. Com a desvantagem de estarmos a cair de sono. Borobudur.










O nosso motorista adormecido na sua “casa”.



Hoje deixamos a Indonésia. Ficam saudades das praias e dos sítios da paz. Nenhumas saudades do caos das ruas e dos vendedores.

Ubud, Tulamben, etc

Quem ouve falar de Bali pensa que é uma ilha muito turística. E é-o de facto. Mas, ao contrário das praias de Kuta cheias de australianos do surf, com ofertas de massagens de dois em dois metros e com pinta de Albufeira nas noites de verão, há cidades que valem a pena.
Ubud é perto do centro, onde o típico é ver umas danças de inspiração hindu. Não é o meu género, um pouco monótonas, mas valem pelo diferentes que são. Uma espécie de teatro secular, com espíritos/Deuses bons e maus em conflito. Valem também a pena alguns templos hindus que se vem pelos caminhos da ilha.



Depois fomos a Tulamben, uma cidade que não teria qualquer interesse, não tivesse havido lá um naufrágio. Na II guerra mundial um submarino japonês abateu um cargueiro americano que, apesar de ter ficado muito perto da costa, depois de uma erupção do vulcão vizinho foi arrastado para o mar. Agora é uma atracção subaquática, com hotéis e escolas de mergulho a brotarem à volta dos destroços. Eu aproveitei.